Vem amor, me diz com teus olhos calmos que vai dar tudo certo, que a vida vai dar certo e que nossos planos serão executados com louvor.
Vem amor, me acolhe em teus braços e me livra desse mundo traiçoeiro, que tudo que eu preciso é do teu abraço, do teu aconchego, do teu puro amor.
Vem amado, me salva de tudo no torpor do teu beijo, arranca meu chão de mim e não deixa que ele retorne, é tão lindo flutuar.
Vem meu amante, me toma com tudo o que pode, me faz sentir o arrepio do teu corpo quando vai de encontro ao meu, me ama até não poder mais, até rodarem extasiadas as pupilas.
Vem amor, que em ti que encontro vida, é de ti que sinto tudo, é tua a minha melhor parte, é contigo que sei ser melhor.
Vem amável, só tu sabes me fazer rir com a alma, só tu arrancas de mim aquela vontade morna de viver. Só tu sabes me fazer sentir que posso, sempre posso.
Vem amigo, que é contigo que exponho meu choro, minha loucura, meus desencantos, meu desejo.
Vem desejo, que és tu. Eu bambeando as penas. Vem, que antes não há nada, depois não háverá. És tu, a quem eu chamo, somente tu quem devo amar.
Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
Ano novo, vida nova.
É fato que todo ano milhões de coisas mudam, fazemos algumas tantas promessas, brincamos de inventar um futuro mais coerente. Mas mesmo que cada ano durasse mais que 365 (ou 6) dias as coisas mudariam, de qualquer forma.
Essa dita passagem, esse ritual de despedida de um ano para a entrada do outro, esse misticismo que surge próximo ao dia 31 de cada dezembro, isso, esse momento é que faz com que paremos pra pensar no que aconteceu, no que queríamos que acontecese e algumas vezes, de maneira triste, nos faz ver que as coisas poderiam ter sido bem diferentes, que alguns sofrimentos foram desnecessários, que alguns abraços ficaram soltos no pensamento e que podiam ter havido muito mais sorrisos.
Daí surge aquele ímpeto, aquele desejo de mudança, "o ano que vem será melhor"...
E acaba sendo a mesma coisa do anterior, salvo aquelas mudanças de que falei no começo, aquelas que acontecem, acabam acontecendo, não porque é outro ano, mas porque tem que acontecer mesmo.
A verdade é que deveríamos ser movidos por sentimentos de mundança todos os dias, não porque o que já existe não é bom, mas pelo fato de que pedras brutas precisam ser lapidadas e sempre há algo a ser melhorado.
Pelo fato de que a vida deve ser aproveitada mesmo em cada momento, do mais sofisticado ao mais simples, do mais entediante ao mais estimulante. Pelo fato de que cada dia passado é um dia a menos em nossas vidas e que cada instante disperdiçado vai fazer muita falta quando não pudermos mais desfrutar dele.
Então o ano novo está aí, à espera de todas as suas promessas, pronto pra te devorar no primeiro vacilo.
E a melhor aposta é não apostar. Deixar as coisas acontecerem, se deixar levar pelas coisas nobres e felizes que te permeiam, o que te constrói aí dentro.
Siga ao sabor do mar...
Essa dita passagem, esse ritual de despedida de um ano para a entrada do outro, esse misticismo que surge próximo ao dia 31 de cada dezembro, isso, esse momento é que faz com que paremos pra pensar no que aconteceu, no que queríamos que acontecese e algumas vezes, de maneira triste, nos faz ver que as coisas poderiam ter sido bem diferentes, que alguns sofrimentos foram desnecessários, que alguns abraços ficaram soltos no pensamento e que podiam ter havido muito mais sorrisos.
Daí surge aquele ímpeto, aquele desejo de mudança, "o ano que vem será melhor"...
E acaba sendo a mesma coisa do anterior, salvo aquelas mudanças de que falei no começo, aquelas que acontecem, acabam acontecendo, não porque é outro ano, mas porque tem que acontecer mesmo.
A verdade é que deveríamos ser movidos por sentimentos de mundança todos os dias, não porque o que já existe não é bom, mas pelo fato de que pedras brutas precisam ser lapidadas e sempre há algo a ser melhorado.
Pelo fato de que a vida deve ser aproveitada mesmo em cada momento, do mais sofisticado ao mais simples, do mais entediante ao mais estimulante. Pelo fato de que cada dia passado é um dia a menos em nossas vidas e que cada instante disperdiçado vai fazer muita falta quando não pudermos mais desfrutar dele.
Então o ano novo está aí, à espera de todas as suas promessas, pronto pra te devorar no primeiro vacilo.
E a melhor aposta é não apostar. Deixar as coisas acontecerem, se deixar levar pelas coisas nobres e felizes que te permeiam, o que te constrói aí dentro.
Siga ao sabor do mar...
Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
Aprendi a dizer adeus.
Aprendi a deixar as mágoas pra trás e saber ver o lado bom da convivência.
Aprendi a lembrar das brincadeiras infantis e das rodas de violão.
Dos apelidos bobos, dos elogios sem fundamento.
Aprendi a guardar cada pedacinho, a sentir um amor, uma ternura, uma saudade profunda que nada acalma.
Aprendi que nessas horas, na dor do parto, a ausência é doce, é quase como se não existisse.
Aprendi a respeitar a figura, o nome, a personalidade, o homem.
Aprendi a dizer te amo com uma fé que eu desconhecia, que eu até desacreditava.
Aprendi que no fundo sobram tantas coisas que não cabem em palavras e as gavetas cheias não preenchem em nada.
Aprendi que quando as coisas são abruptas alguns rastros são deixados sem que muitos percebam. E aquela aliança na pia do banheiro vai ficar pendurada no meu pescoço.
Aprendi que as perdas engrandecem, tristemente.
E que o choro não se torna tão rotineiro quando o coração é afagado.
E que a dor de não ter dito algumas coisas e feito tantas outras ecoa por dentro como se a sala fosse grande e vazia -era grande na verdade, mas sempre tinha alguém.
Aprendi que as pessoas vem e vão sem nem tomar ciência disto, de que um dia terão que ir e deixar um monte de planos.
Talvez fôssemos passar alguns reveillons em Paris, talvez voltássemos àquela praia virgem no interior, eu irei e voltarei, se assim for possível.
Mas o manto do mar envolveu-o na partida, tragado pela mesma praia que tanto amou e a ida se fez bela, embora mórbida, triste, bela.
Eu disse adeus.
Aprendi a lembrar das brincadeiras infantis e das rodas de violão.
Dos apelidos bobos, dos elogios sem fundamento.
Aprendi a guardar cada pedacinho, a sentir um amor, uma ternura, uma saudade profunda que nada acalma.
Aprendi que nessas horas, na dor do parto, a ausência é doce, é quase como se não existisse.
Aprendi a respeitar a figura, o nome, a personalidade, o homem.
Aprendi a dizer te amo com uma fé que eu desconhecia, que eu até desacreditava.
Aprendi que no fundo sobram tantas coisas que não cabem em palavras e as gavetas cheias não preenchem em nada.
Aprendi que quando as coisas são abruptas alguns rastros são deixados sem que muitos percebam. E aquela aliança na pia do banheiro vai ficar pendurada no meu pescoço.
Aprendi que as perdas engrandecem, tristemente.
E que o choro não se torna tão rotineiro quando o coração é afagado.
E que a dor de não ter dito algumas coisas e feito tantas outras ecoa por dentro como se a sala fosse grande e vazia -era grande na verdade, mas sempre tinha alguém.
Aprendi que as pessoas vem e vão sem nem tomar ciência disto, de que um dia terão que ir e deixar um monte de planos.
Talvez fôssemos passar alguns reveillons em Paris, talvez voltássemos àquela praia virgem no interior, eu irei e voltarei, se assim for possível.
Mas o manto do mar envolveu-o na partida, tragado pela mesma praia que tanto amou e a ida se fez bela, embora mórbida, triste, bela.
Eu disse adeus.
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Sábado, 15 de Novembro de 2008
Mais um clichê!
Quem sabe de mim?Talvez minha mãe que vive em mim desde o primeiro momento, do gozo à divisão de células, do crescer da barriga até a dor do parto, do primeiro aos dezoito anos.Talvez meus amigos, que arrancaram de mim sorrisos e confissões, que dividiram comigo as novidades da puberdade, minha menarca, meu primeiro beijo, minhas noites em claro falando besteiras.Talvez nem eu saiba de mim mesma, visto que ainda estou naquela busca do que virei a ser, do que realmente espero, do que realmente quero, hoje prefiro salgado, amanhã quero doce.
Já ouvi de tudo um pouco, já sofri um bocado, acho que amei mais que poderia, até já nem ser amor, já usei roupas das quais jamais usaria, já achei graça de coisas que não são nem um pouco engraçadas, mas o arrependimento nem bate na minha porta.Vale a pena, vale sim. Sempre se tem como aprender.
E no fim de tudo ninguém sabe quem se esconde atrás desse riso frouxo, dessa loucura incontida, dessa alegria sem motivo e dessa tristeza que me abate assim de repente.Ninguém sabe, nem saberá.Sou só eu e mais um emaranhado de coisas tolas e sem sentido, mas sou eu, assim sem descrição, sem rótulos, sem conceitos pré-concebidos, sem paredes pra sonhar, sem limites pra alcançar.
Sou só mais aquela menina.
A menina que amadureceu tão cedo e esqueceu uma parte da infancia por aí.Pode me chamar pra discutir a alma humana ou pra brincar de roda.Estou pronta pros dois.
Já ouvi de tudo um pouco, já sofri um bocado, acho que amei mais que poderia, até já nem ser amor, já usei roupas das quais jamais usaria, já achei graça de coisas que não são nem um pouco engraçadas, mas o arrependimento nem bate na minha porta.Vale a pena, vale sim. Sempre se tem como aprender.
E no fim de tudo ninguém sabe quem se esconde atrás desse riso frouxo, dessa loucura incontida, dessa alegria sem motivo e dessa tristeza que me abate assim de repente.Ninguém sabe, nem saberá.Sou só eu e mais um emaranhado de coisas tolas e sem sentido, mas sou eu, assim sem descrição, sem rótulos, sem conceitos pré-concebidos, sem paredes pra sonhar, sem limites pra alcançar.
Sou só mais aquela menina.
A menina que amadureceu tão cedo e esqueceu uma parte da infancia por aí.Pode me chamar pra discutir a alma humana ou pra brincar de roda.Estou pronta pros dois.
Terça-feira, 21 de Outubro de 2008
Nada de ventos fortes.
Decidi que tenho medo de amar.
Tenho medo de sentir todas aquelas coisas e frios e calafrios.
Tenho medo de me jogar no abismo e me espatifar no chão, talvez eu não consiga juntar os cacos.
Eu tenho medo, medo mesmo.
Tenho medo de me permitir. Essa sensação de impotência ou de soberania sobre meus sentimentos é que me deixa assim, acoada.
E por saber que só sei lidar com isso de maneira extremista, prefiro não cair nos ventos mornos e doces de um novo grande amor.
Prefiro tentar nem lembrar como se manifesta.
Prefiro recolher minhas vontades e ter uma noite de sono válida.
Não quero mais platonismos.
Não quero mais presença declarada.
Não quero mais partilhar a alma.
Não quero.
Vou passo a passo encontrando uma linha reta que me leve direto ao ponto, ao ponto de não-loucura.
E nessas caminhadas retilíneas vou "rodando" o mundo e recolhendo cada pedacinho do meu interesse. Sem , no entanto, provar algum.
Experienciar nem sempre é a saída.
Por enquanto é melhor calmo e coeso.
Tenho medo do furacão, porque ele me fascina e fascinada estou sem os pés no chão.
Não quero amor. Não quero a tormenta.
Quero só mais um cantinho onde guardar tudo o que vi.
Não sinto.
Por muito tempo espero me manter assim, livre de amar.
Porque a chama viva me amedronta e me entorpece.
E eu quero estar sóbria.
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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
Sabe, hoje de repende acordei e me senti muito velho.
Notei que a vida tinha assim passado quando me vi no espelho e enxerguei aquela funda ruga nos olhos cansados e percebi que aquela sujeira no canto do espelho estava lá já fazia muito tempo.
Eu tinha esquecido que o tempo passa e que as coisas não mudam se não as fazemos mudar.
Um dia me vi no espelho e ainda era jovem, a sujeira era recente na moldura.
Agora estava tudo impregnado: a sujeira, a ruga funda.
Não dava mais pra mudar.
Notei que a vida tinha assim passado quando me vi no espelho e enxerguei aquela funda ruga nos olhos cansados e percebi que aquela sujeira no canto do espelho estava lá já fazia muito tempo.
Eu tinha esquecido que o tempo passa e que as coisas não mudam se não as fazemos mudar.
Um dia me vi no espelho e ainda era jovem, a sujeira era recente na moldura.
Agora estava tudo impregnado: a sujeira, a ruga funda.
Não dava mais pra mudar.
Terça-feira, 14 de Outubro de 2008
Ainda sim[...] Nem sei mais.
Hoje, depois de muito andar a esmo, retornei à nossa morada, amor. E te senti quase perto, quase em mim.
Algo não muito usual. Já te disse que tinha te perdido em tudo, em todos os lugares e coisas, que tu não estavas aqui, no meu ser, mas por alguns momentos pude sentir. Fui beijada pela mesma textura da tua boca, e todas aquelas cenas voltaram à tona, fui invadida pela antiga onda.
Tive vontade de me afogar naquele mar, embebedar meus pulmões daquela gota seca que foi te amar.
Eu não poderia. Sabe aquele gosto acre amor? De quem não foi quisto? É dele que eu sobrevivo, mas você não saberia como sê-lo. Sempre te quis, desde a primeira ânsia, antes de todo e qualquer sentido. Te quis sem ver, sem ouvir. Eu não tinha provado teu cheiro, teu gosto, teu timbre ainda não tinha me feito tremer como estremecem as entranhas de qualquer caixa sonora. Reverberei. Mas sem nada disso já eras meu.
E quando pude sentir tudo verdadeiro no meu falso mundo é que caí no abismo. Porque nem um pedaço teu que fosse me pertencia. E voltando ali, onde tudo começou e acabou, de certa forma percebi que o que eu tinha amado era um ideal, algo pelo qual eu não podia lutar. Amei o que eu queria que tu fosses. Já te disseram que não se muda ninguém? Eu não conseguiria te moldar.
Sabe aquele meu ideal, amor? Ele permanece, é talvez a única coisa que me faça pensar no amanhã.
Não te amo, amor. E ainda te amo mais que nunca.
Algo não muito usual. Já te disse que tinha te perdido em tudo, em todos os lugares e coisas, que tu não estavas aqui, no meu ser, mas por alguns momentos pude sentir. Fui beijada pela mesma textura da tua boca, e todas aquelas cenas voltaram à tona, fui invadida pela antiga onda.
Tive vontade de me afogar naquele mar, embebedar meus pulmões daquela gota seca que foi te amar.
Eu não poderia. Sabe aquele gosto acre amor? De quem não foi quisto? É dele que eu sobrevivo, mas você não saberia como sê-lo. Sempre te quis, desde a primeira ânsia, antes de todo e qualquer sentido. Te quis sem ver, sem ouvir. Eu não tinha provado teu cheiro, teu gosto, teu timbre ainda não tinha me feito tremer como estremecem as entranhas de qualquer caixa sonora. Reverberei. Mas sem nada disso já eras meu.
E quando pude sentir tudo verdadeiro no meu falso mundo é que caí no abismo. Porque nem um pedaço teu que fosse me pertencia. E voltando ali, onde tudo começou e acabou, de certa forma percebi que o que eu tinha amado era um ideal, algo pelo qual eu não podia lutar. Amei o que eu queria que tu fosses. Já te disseram que não se muda ninguém? Eu não conseguiria te moldar.
Sabe aquele meu ideal, amor? Ele permanece, é talvez a única coisa que me faça pensar no amanhã.
Não te amo, amor. E ainda te amo mais que nunca.
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